Assim sendo, qual é o resultado do trabalho conjunto de dois grandes contadores de histórias do mundo do cinema e dos jogos? Bem, é Peter Jacksons King Kong: The Official Game of the Movie, um jogo espectacular que vai levar as emoções a flor da pele.
Toda a magia dos filmes
Kong é uma experiência de jogo cinematográfica. Na verdade, partilha muitas das qualidades dos filmes de Jackson: um excelente enredo, um elenco de atores de talento, valores de produção assombrosos e extraordinários efeitos especiais. Mas a sua natureza cinematográfica não fica só por aqui. O jogo desenvolve-se ao longo de uma série de níveis divididos em episódios, como se se tratasse da função de seleção de cena de um DVD. Tanto os visuais como a música apresentam um carácter épico, dramático e simplesmente arrebatador. O jogo não inclui qualquer medidor, indicador, relógio ou qualquer outro dispositivo que lhe distraia da ação. Além disso, poderá desfrutar do engenhoso trabalho de câmara nos momentos dramáticos: cinematografia é uma palavra que nos vem frequentemente à cabeça quando jogamos este título.
Na qualidade de complemento do filme, Kong não só preenche todos os requisitos necessários, como adiciona alguns novos e detalhes na perfeição. Por exemplo, além de utilizar todos os modelos de personagens criados pela Weta para o filme (de uma forma deslumbrante), o jogo inclui modelos novos e exclusivos. Por outro lado, a diretora do jogo, Phillipa Boyens, não só escreveu a história do jogo como coordenou as sessões de gravação de voz dos atores. Kong é um jogo que não pára de superar aquilo que dele seria de esperar.
Bem-vindo à Ilha Skull
Kong apresenta jogabilidade alternada: poderá dividir o seu tempo de jogo entre a exploração em primeira pessoa na pele de Jack Driscoll, diretor transformado em aventureiro acidental, e os ruidosos passeios em terceira pessoa de Kong.
Encarnando Jack, iniciará a sua aventura com uma chegada desastrosa à Ilha Skull, um cenário escuro e aterrador povoado por criaturas gigantescas. Desde o momento do desembarque, se sentirá pouco à vontade, consciente de que está muito longe do topo da cadeia alimentar.
Ajudando-o de várias formas estão os seus colegas de expedição, com os quais passará a maior parte das aventuras de Jack. Hayes, o primeiro imediato do barco, revela-se um herói bastante cedo (fornece sua primeira arma), enquanto Carl Denham - a quem Jack Black empresta a voz - mal levanta um dedo para ajudar-lhe porque está sempre em filmagens. Jimmy é só uma criança, mas o seu choro aterrorizado não é particularmente útil quando está tentando manter a calma.
Apesar de tudo, terá de trabalhar em equipe, se quiser sair inteiro da ilha. Poderá controlar apenas Jack, mas fará parte de um grupo, o que implica na partilha de objetos, entre outras coisas. Em várias fases do jogo, a sobrevivência da tripulação depende totalmente da qualidade de sua perícia de cobertura e vice-versa. No final do jogo, irá sentir surpreendentemente próximo de todos eles.
A Ilha Skull está povoada por algumas das feras mais temíveis e selvagens alguma vez incluídas num jogo de vídeo. A Weta superou todas as expectativas no desenvolvimento dos efeitos das criaturas para o filme e, por extensão, para o jogo. De aranhas e centopeias enormes a dinossauros extraordinariamente assustadores, Jack raramente está a mais do que alguns metros de distância de um possível predador. Para piorar as coisas e com o fim de manter o jogo plausível, apenas podes empunhar uma arma de cada vez. No entanto, compensando esta completa falta de armamento, tens a habilidade de agarrar e atirar lanças, quer do tipo pré-fabricado (convenientemente abandonado pelos nativos) ou as suas próprias lanças de osso, construídas a partir das inúmeras carcaças espalhadas pela ilha. Aliás, as lanças existem em muito maior número do que a munição; por isso, transformam-se, frequentemente, na sua principal arma.
Sou Kong, ouçam o meu rugido
Quando não está fugindo dos monstros na pele de Jack, está normalmente enfrentando-os como Kong, a verdadeira estrela do jogo e do filme. Mais uma vez, a maestria digital da Weta surpreende pela sua qualidade, mas o que mais impressiona é o assombroso tamanho de Kong. À medida que ele passeia pelos cenários, a terra treme com cada um de seus passos. À semelhança de uma estrela de cinema, ele domina: controlar o grande símio Kong na sua caminhada para os inimigos é uma das mais satisfatórias experiências de jogo que poderá desejar.
Inteligentemente, as fasesde Kong também incluem quebra-cabeças e mecânica de jogo astuciosos e baseados em trabalho de equipe, graças à relação especial de Kong com a actriz Ann Darrow. Para dizer a verdade, trata-se normalmente de decidir quando levantá-la e colocá-la no chão; apesar disso, esta adições tornam as fases de Kong ligeiramente mais desafiantes em termos mentais.
Enorme valor de repetição
Resumindo, Kong é um jogo espectacular de características cinematográficas que não podemos recomendar o suficiente. No entanto, os aspectos cinematográficos do jogo resultam em algumas desvantagens, inevitavelmente detectadas por alguns dos jogadores. Além disso, Kong é verdadeiramente linear e, embora os quebra- cabeças sejam normalmente bem concebidos, nunca dispões de mais do que um caminho a seguir. Por outro lado, o jogo é bastante curto: os jogadores veteranos são conseguir terminá-lo em um dia ou dois. O que não deverá representar um problema de maior: a maior parte das pessoas vai adorar a oportunidade de reviver os seus momentos preferidos e o jogo inclui alguns bónus para adoçar a dose quando o concluíres.
Fonte:http://pt.playstation.com/previews/previewStory.jhtml?linktype=MPC&storyId=107200_pt_PT_PREV