Depois de três edições, a Capcom já entendeu muito bem a receita Devil May Cry. Pega-se numa fantástica personagem principal, dá-se-lhe armas de combate alucinantes e junta-se uma sequência infindável de vilões cortados em metades. Coloca-se tudo num extraordinário cenário gótico e deixa-se executar.
Podem parecer os mesmos ingredientes da série Castlevania da Konami, mas, ao contrário dessa saga vampírica, DMC3 conta com alguns ingredientes secretos: quebra-cabeças diabólicos, aterradores vilões de fim de nível, mais estilo que uma passagem de moda em Paris e um humor brejeiro para misturar tudo.
O riso de Devil May
Apesar de DMC3 parecer muito igual aos anteriores, é a sua espessa camada de humor que o distingue dos seus antecessores. Esta prequela de DMC põe as suas cartas de comédia na mesa desde a sequência de abertura, onde um Dante descontraído está a abrir a sua agência de detectives ainda sem nome. Atacado por demónios, a fabulosa faixa de Rock começa e o nosso herói começa a despachar os seus inimigos. Até agora, tudo de acordo com a fórmula, mas o humor de gargalhadas estridentes chega-nos sob a forma de uma caixa de música avariada, consumo de pizza em doses industriais e uma sessão de bilhar de 8 bolas de morrer - literalmente.
Depois de saíres das brilhantes cenas cortadas e entrares na acção em si, o humor fica muito mais difícil. Na verdade, surfar em torno de um inimigo morto parece ser o único movimento de comédia disponível, o que é uma pena, porque a natureza opressiva do mundo neo-Gótico de Dante pode ser um pouco deprimente quando ficas preso num nível durante meia hora.
O estilo é tudo
Felizmente, a Capcom penetra na escuridão com uma lanterna brilhante de escolhas, sob a forma de Styles (Estilos) de combate diferentes para o Dante. Dependendo do teu modus operandi de combate pessoal, podes alternar entre quatro estilos; Trickster, Swordmaster, Gunslinger e Royal Guard.
Independentemente do estilo escolhido, Dante mantém o combate pessoal e com armas que conhecemos e adoramos, só que concentra-se nas mudanças, o que lhe permite executar manobras deslumbrantes na especialidade escolhida. O Trickster concentra-se na esquiva (uma capacidade útil uma vez que as expansões de energia de saúde são raras), o Swordmaster (tal como seria de esperar) mantém as tuas armas brancas por perto, enquanto que o Gunslinger mantém os teus inimigos à distância. Royal Guard é para todos os fãs da Capcom da pesada, já que ataques bem temporizados provocam danos enormes, mas se fizeres asneira o sangue será teu (à la Onimusha).
Ao utilizares um Estilo, ganhas experiência na sua utilização e, eventualmente, 'sobes de nível', ganhando novas capacidades, tal como o Charge Shot do Gunslinger e o ataque de disparar gelo, Crystal, do Swordmaster. Mas, se achares que o teu Estilo não se adapta bem, podes mudá-lo em qualquer um dos pontos da estátua dourada Customize (Personalizar), espalhados pelos níveis. No entanto, ao contrário de DMC2 não podes guardar estes pontos de passagem dourados. Só podes fazê-lo no fim do nível, o que acarreta os seus próprios problemas.
Duro de roer
O DMC3 é duro, muito duro. Os quebra-cabeças são difíceis, os vilões são difíceis e os vilões de fim de nível são muito, muito difíceis. Podes comprar Vital Stars (expansões de energia de saúde) e Yellow "continue" Orbs (Órbitas amarelas de continuação), mas o seu preço aumenta à medida que as compras, penalizando os jogadores que têm mais dificuldades com o jogo.
Junta a isto vilões de fim de nível, o facto de que não podes gravar senão depois de os teres morto e o facto de que morrer significa recomeçares todo o nível do início e chegas à conclusão de que alguns jogadores não vão sobreviver a este exercício de frustração de jogo.
Monstro grátis com cada compra
Mas deves mesmo voltar, porque apesar da frustração, o Devil May Cry 3 tem muito mais para oferecer que os seus antecessores. Conta com excelentes visuais, acção sem parar e em grande estilo e um desafio rigoroso que - correcta ou incorrectamente - falta em muitos dos jogos actuais.