Mandar coisas pelos ares nunca passa de moda, pois não? Desde o aparecimento do primeiro jogo (Space War), na década de 70, os jogadores adoram disparar projécteis de alta velocidade contra adversários igualmente violentos - o objectivo? A destruição total do inimigo. Tudo para obter alguns pontos de saúde e desfrutar da satisfação de ver os pixels inimigos espalhados num cenário virtual. Avança 35 anos e continuamos sedentos daquela mesma torrente contínua de disparos e diversão; ora, Mercenaries oferece-te isso... a dar com um pau!
Baralho de 52
Por falar em paus (e em ouros, copas e espadas), o baralho de 52 cartas desempenha um importante papel em Mercenaries - tens de eliminar 52 rebeldes norte coreanos, durante uma guerra na Correia, a decorrer num futuro próximo. Na pele de um dos três soldados da fortuna (um sueco atlético, um tipo duro americano e uma garina de Hong Kong/britânica, especialista em acção sub-reptícia), ofereces os teus serviços a quem pague mais. Poderás ter de participar numa missão de resgate dos 'bons da fita' (de capacete azul), reforçar o enfraquecido contingente sul coreano, vender armas à máfia russa ou até ajudar o maléfico Exército Vermelho. A escolha está nas tuas mãos - apenas os teus valores ou o teu gestor de conta bancária poderão orientar-te.
Escolhe uma carta, qualquer carta.
Imaginemos que o teu objectivo está posicionado sobre uma colina, rodeado de uma barreira de sacos de areia e protegido por metralhadoras e tropas implacáveis. Qual seria a tua estratégia? Utilizavas uma espingarda de mira ou uma metralhadora silenciosa para abateres os guardas nas torres e entrares sem que te detectassem? Aceleravas colina acima ao volante de um jipe roubado e investias contra os portões, enquanto cantarolavas A Cavalgada das Valquírias? No nosso caso, o que fizemos foi chamar os nossos amigos do Exército Chinês, afrouxámos os cordões à bolsa e obtivemos um Ataque de Mísseis Estratégicos. Missão cumprida, dinheiro no banco (teríamos conseguido mais, se o tivéssemos capturado vivo).
Castelo de cartas
O verdadeiro ponto forte de Mercenaries é que qualquer estratégia se transforma num festival de diversão explosiva. Por meio de um motor de física bem desenvolvido, podes passar horas (e perder milhões de dólares) a mandar objectos pelos ares, só porque te apetece! As granadas viram os jipes de rodas para o ar, os projécteis dos tanques transformam os helicópteros em bolas de fogo voadoras; finalmente, a artilharia pesada (mísseis, apoio aéreo, etc.) pode dizimar uma cidade com alguns dos melhores efeitos de explosão que alguma vez vimos. Brilhante!
Podes, também, recorrer aos teus aliados para que te enviem úteis presentes que não expludam (pelo menos, não imediatamente). Os quais incluem lançamento de munições, veículos, caixas de reparação e saúde e até armas específicas, tais como espingardas de mira e equipamento para demolições - dão sempre jeito quando estás a quilómetros de uma base aliada, sem qualquer meio de transporte. Mas, à semelhança das bailarinas nas boîtes, quando ficas sem dinheiro, eles desinteressam-se e deixam-te entregue a ti próprio.
Dar a volta ao jogo
Se não suportas sequer pensar em conduzir até uma base, aceitar uma missão, conduzir até um objectivo, eliminá-lo e repetir esta sequência mais 51 vezes, não entres em pânico. Tal como na série Grand Theft Auto, só tens de navegar pelo mapa para descobrires desafios que te vão oferecer muito dinheiro, por exemplo, entregas contra-o-relógio, corridas um-contra-um ao volante de veículos militares e até depósitos militares secretos que te recompensam generosamente pelos teus 'esforços'. E, claro, encontras sempre um ou outro grupo de vilões norte coreanos com quem podes testar as armas recém-descobertas. Nunca foi tão divertido disparar contra pessoas!