Na nossa opinião, controlar um guerreiro samurai enquanto ele avança a golpes de armas brancas por um Japão feudal atormentado por demónios, é uma premissa bastante boa para um jogo. Foi o que pensámos quando Samanosuke apareceu pela primeira vez nos nossos ecrãs em 2001 ("É como um Resident Evil histórico e com espadas. Fabuloso!") e foi também o que pensámos quando Jubei Yagyu assumiu destaque com o Onimusha 2: Samurai's Destiny em 2002. Agora, em 2004, decidimos que os atormentados demónios do já mencionado Japão feudal, mais a cidade de Paris da actualidade, mais o camaleão que é dos melhores actores franceses resulta na melhor premissa para um jogo de sempre. Felizmente, isso também é magnificamente realizado e é uma alegria de jogar. Infelizmente é, supostamente, a última edição da série Onimusha como a conhecemos. Digam que não é verdade, Capcom....
Vamos fazer o Desvio do Tempo
O que isto significa para ti, o jogador, são muitos saltos entre o Japão do século XVI e a cidade de Paris moderna para comandares dois heróis no seu destino partilhado: derrotar Nobunaga e as legiões de Genma de uma vez por todas. Embora Samanosuke e Jacques partilhem os mesmos movimentos básicos, têm conjuntos de armas completamente diferentes, movimentos especiais e habilidades. M. Blanc, por exemplo, pode utilizar o seu chicote para oscilar entre tiroteios e chegar a locais de difícil alcance, enquanto que Samanosuke pode esmagar determinados obstáculos que Jacques não consegue.
Estas habilidades únicas das personagens passam para primeiro plano quando exploras o mesmo local, mas em eras diferentes e com personagens diferentes. De forma inteligente e graças a um dispositivo conhecido como 'Time Folder', Samanosuke e Jacques podem enviar pequenos presentes um ao outro (chaves, expansões de saúde entre outros) através do tempo, que é a chave para poderes avançar. No que respeita à jogabilidade 'cooperativa' entre as duas personagens, foi engenhosamente concebida.
Cortes, machadadas, Deflect Critical
Mas embora as viagens no tempo ofereçam a Onimusha 3 um toque um pouco mais intelectual, continua a ser um jogo muito orientado para a acção e para o combate. Literalmente centenas de monstros Genma fazem fila para experimentarem o sabor da lâmina da tua espada e eliminá-los é mais divertido que nunca. (Sugestão para o jogador particularmente sangrento: visita o ecrã de opções antes de fazeres qualquer outra coisa, uma vez que as predefinições do jogo são menos sangrentas e não podem ser alteradas depois de começares a jogar). O sistema de combate central permanece muito simples, com o botão quadrado a libertar vagas de ataques de espadas furiosos, mas foi consideravelmente retocado e melhorado.
À medida que avanças, as armas passam a ser cada vez mais devastadoras, graças ao regresso do sistema estilo RPG de "subida de nível". Desta vez, além de poderes actualizar as armas e armaduras investindo as almas dos inimigos derrotados, também podes treinar em qualquer um dos pontos de gravação do jogo. Para te transformares num verdadeiro mestre de caça aos Genma, precisas agora de entender os Charged Attacks, o Deflect Critical (uma manobra tipo contra-ataque) e muitos mais.
Se achavas que o sistema de combate dos jogos anteriores era demasiado simplista - um pouco de crítica ao passado - vais ficar agradavelmente surpreendido com o nível de desafio das sessões de treino para as novas técnicas avançadas. Ambas as personagens também contam com práticos e estilizados movimentos individuais, tais como o 'Oni-Bind' de Jacques, que prende os inimigos com o chicote.
Sites só para os teus olhos
Embora o engenhoso desenho e o muito melhorado sistema de combate façam com que seja uma estupenda aventura que atravessa o tempo e o espaço, são os luxuosos gráficos que realmente impressionam. Ao contrário dos dois primeiros jogos, que utilizavam cenários estáticos de alta resolução, o Onimusha 3 apresenta um mundo de jogo completamente em 3D. Dado o poder de processamento extra que é necessário para os ambientes em 3D, é impressionante notar que o Onimusha 3 é o jogo visualmente mais impressionante da série. O distinto estilo artístico dos locais habitados por Genma vão fazer com que os fãs dos dois primeiros jogos se sintam em terreno familiar, mas as cronologias gémeas oferecem locais muito mais interessantes e variados, incluindo Notre Dame, o Arco do Triunfo e um templo subaquático.
Se estão à espera de um grande "mas", não esperem: nós adoramos este jogo. As duas únicas pequenas questões que surgem são A) momentos muito pouco frequentes de abrandamento e B) o facto de que Jean Reno não emprestou a sua voz à versão inglesa do jogo. No entanto, vais ouvi-lo falar na sua língua mãe e o actor americano que faz a voz de Jacques Blanc não faz um trabalho nada mau.
Nenhuma destas questões desvia a atenção do facto de que Onimusha 3 está maravilhosamente bem feito e é uma aventura excepcionalmente polida. A fórmula Onimusha tem sido tão bem refinada e desenvolvida que parece mesmo uma franchise que chega à maturidade, o que faz com que o facto de se tratar de ser o último jogo da série seja ainda mais devastador.
Mesmo assim, nem tudo está perdido. Numa entrevista recente dada à PlayStation.com, o criador da série Keiji Inafune disse que, "... se existirem pedidos suficientes dos jogadores, então talvez possamos pensar em fazer algo mais dentro do universo Onimusha". Por isso, por favor e a bem de todos nós, rumem às lojas, comprem este jogo e informem a Capcom de que querem mais, muito mais.