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Driv3r

Depois de uma prolongada licença sabática, o Tanner está de volta, mas será que o mais conhecido piloto da PS one tem o que é preciso para entrar na fraternidade criminosa para a PS2?

Sou um enorme fã do Driver original. Está entre Metal Gear Solid e Gran Turismo 2 nos meus 'Três Jogos Favoritos para a PS one de Todos os Tempos'. O impacto do Driver original na paisagem dos jogos de vídeo não deve ser subestimado e não há qualquer dúvida da sua influência na colheita actual dos jogos de condução com base em missões actuais. Três anos e meio já passaram desde que Tanner chegou aos nossos ecrãs pela última vez, mas agora ele quer agarrar a PS2, suportado por um impressionante elenco de vozes de Hollywood e uma das maiores despesas de marketing na história dos jogos. Assim, poderá a mais recente abordagem da Reflections captar os dias de ouro da era PS one, ou estará o Driv3r a correr o risco de ser esmagado pelo peso da expectativa?

Muito fixe

Em termos de estrutura básica, Driv3r não se afasta muito da forma disposta pelos dois jogos anteriores. Há um modo Free Ride, que permite definir variáveis, tais como a hora do dia, condições climatéricas e a presença da Polícia e, depois, avançares para as ruas de Miami, Nice e Istambul para conduzires a teu bel-prazer. Também tens um bom conjunto de Jogos de Condução, tais como Quick Chase, Trailblazer e Survivor, mas o evento principal é 'Undercover', o modo baseado na história em que Tanner segue no encalço de um cartel internacional do crime. A acção começa em Miami, onde Tanner trabalha numa divisão do FBI ligada ao departamento de Polícia de Miami.

Desde o início, é óbvio que a série Driver não perdeu nenhuma das suas qualidades. A apresentação é super-elegante de ponta a ponta, a banda sonora é estonteante e as cenas cortadas são impressionantemente cinematográficas. O guião e a história estão muito acima da aventura de acção média e o impressionante alinhamento de talentos vocais (que inclui Michael Madsen, Ving Rhames, Michelle Rodriguez e Mickey Rourke) dá a sensação de uma grande produção de Hollywood.

Erotismo automóvel

A jogabilidade de Driv3r divide-se em duas partes básicas - secções de condução e a pé, que compõem setenta e trinta por cento do teu tempo no jogo, respectivamente.

No carro, a Reflections continua o legado de Driver 1, Driver 2 e Stuntman com alguma da melhor condução ao estilo de arcada vista na PS2. De forma impressionante, mais de 70 veículos são teus para roubares (bem, adquiri-los para questões de Polícia), todos com as suas características exclusivas. É um alinhamento bastante completo de veículos, de sublimes (carros de músculos, desportivos e descapotáveis) a algo ridículos (máquinas de transporte e carros de karting) e, claramente, foi dedicado muito trabalho às nuances subtis de cada carro. A Reflections também comprovou as suas artes de feiticeira no campo da condução, que não estão limitadas às quatro rodas, incluindo pela primeira vez, barcos e motas.

Não só o Driv3r conta com vários carros e motas com uma condução excepcional, como as colisões também são soberbas. Um impressionante sistema de deformação de veículos faz com que a tua brilhante montada se transforme num monte de lata num instante. Partes da carroçaria amolgam-se como se fossem papel, o vidro estilhaça-se em todas as direcções e os painéis voam ao vento. O custo de algumas das mais severas colisões do Driv3r é a ocasional queda na velocidade dos fotogramas, mas não são muito frequentes e é um pequeno preço a pagar por alguns dos mais impressionantes acidentes a chegarem à PS2. As explosões também são muito boas, se conseguires disparar contra os pneus de um carro em fuga, vais vê-lo desviar-se da rota, colidindo contra um muro ou barreira e ser engolido por uma bola de chamas.

Luzes, câmara, acção

São momentos como este que se guardam para a posteridade e, tal como nos dois jogos Driver anteriores, isso é facilmente conseguido graças a um completo e versátil modo de repetição. Podes escolher os ângulos da câmara, abrandar sequências-chave, editar os teus melhores momentos e muito mais - basicamente, há muito para manter os aspirantes a realizadores de cinema contentes. Para aqueles que se sintam menos inclinados a passarem séculos a mexer num pacote de edição, há uma prática adição chamada 'Thrill Cam'. Premindo e mantendo sob pressão os botões L1 e R1 em simultâneo, podes obter uma perspectiva em câmara lenta da acção em tempo real (ou seja, está mesmo a acontecer), o que é de facto muito bom.

Entra no carro!

Infelizmente, a situação não é tão risonha fora do carro. A movimentação de personagens pode ser um pouco atrapalhada e, em contraste com a sublime condução dos carros, os controlos a pé podem ser um pouco estranhos. O jogo também conta com uma boa dose de problemas de câmaras (embora seja de louvar que a Reflections tenha incluído as perspectivas de primeira e terceira pessoa para as secções a pé).

O conjunto de armas do jogo é bastante satisfatório, mas as questões mencionadas anteriormente fazem, frequentemente, com que os combates sejam menos divertidos do que deveriam. Um traço particularmente frustrante de Tanner é a sua tendência para trepar automaticamente qualquer caixa, barril ou dispositivo que encontre. Num momento estás a metralhar contra um inimigo, a enchê-lo de chumbo e no outro estás colocado em cima de uma caixa a dois metros de altura do solo. Com a inexplicável abundância de caixas espalhadas pelas áreas dos mapas dedicadas aos tiroteios, isto pode ser um pouco cansativo.

Situação explosiva

É mesmo uma pena que as secções a pé de Driv3r não correspondam à qualidade em apresentação nas secções dos carros, porque o jogo tem muitos momentos memoráveis. Diverti-me bastante a conduzir um carro de fuga através do interior de uma esquadra de Polícia, a enfrentar as sinuosas encostas de Nice num camião articulado e a disparar contra os inimigos na parte de trás de uma carrinha. Ainda sorrio de orelha a orelha quando vejo o meu carro a acelerar por uma rampa ou barril através de uma perspectiva da Thrill Cam.

Tal como as duas edições anteriores, o principal ênfase do jogo é a sua alta velocidade, as perseguições emocionantes, e é este aspecto do jogo que mais brilha. O domínio completo da Reflections das sequências de perseguição ao estilo de Hollywood não é posto em questão, mas o Driv3r não trata apenas de perseguições motorizadas e é difícil afastar a sensação de que a Reflections teve mais olhos do que barriga. Não é de todo um mau jogo (existem momentos, na perseguição ao inimigo, em que todo o brilho do original volta), mas não é o regresso mais triunfante da série que esperávamos.

Driv3r ainda tem muito para dar - uma fantástica selecção de veículos, uma apresentação fantástica e perseguições emocionantes - por isso, se não estás muito preocupado com uma experiência de jogo potencialmente desequilibrada, deves mesmo experimentar este jogo.


fonte: http://pt.playstation.com/printerFriendly.jhtml?storyId=105750_pt_PT_PREV
Galeria (divulgação):
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