Quais são os teus momentos favoritos de Bond?
Sabes do que estou a falar... aquela parte no GoldenEye em que Bond mergulha elegantemente de uma represa. Em O Homem da Pistola Dourada, quando ele salta um rio utilizando uma rampa torcida. E em O Amanhã Nunca Morre, quando salta de um helicóptero montado numa mota. Ou quando interrompe uma festa de casamento numa lancha em Vive e Deixa Morrer.
A tua lista pode ser diferente da minha, mas toda a gente tem os seus momentos favoritos, aquelas coisas que fazem a experiência Bond. Pode ser uma grande manobra, ou uma expressão mais engraçada, um combate brutal corpo a corpo ou um comentário feito por Q - sejam quais forem, são os teus favoritos e juntos constituem a tua percepção do que deve ser um bom filme Bond. Este pensamento estava obviamente em grande na mente colectiva da EA quando se dedicou ao desenvolvimento de Everything or Nothing, o terceiro jogo de alto perfil de Bond na EA (depois de NightFire e de Agent Under Fire) ou, tal como nos referimos a ele, o 22.º e meio filme de Bond.
Isso porque Everything or Nothing é composto por uma sucessão de momentos Bond, estruturados de forma inteligente em níveis individuais para que pareça ser um jogo; a ideia é que possas criar a tua própria experiência Bond à medida que jogas.
Só para os teus olhos
A EA fornece simplesmente os blocos de construção para essa experiência, mas não estamos a falar de betão tosco para uma construção bruta - estamos a falar de uma estrutura construída com lingotes de ouro, se quisermos manter a metáfora.
Os alicerces são os elementos do elenco de Bond. Com todos os elementos da tripulação Bond actual presentes e correctos, incluindo Pierce Brosnan, Judi Dench e John Cleese retomando as vozes das suas personagens, a EA teve de pesquisar mais para completar o elenco de personagens secundárias. Encontraram Willem Dafoe para fazer de vilão e desenterraram Richard Kiel no papel do Tubarão e, depois, recrutaram a modelo Heidi Klum e a actiz de American Pie Shannon Elizabeth como as meninas más e boas de Bond, respectivamente. Recriado no jogo com uma tecnologia de ponta na captação de movimento, o elenco é assustadoramente credível; Willem Dafoe até pode pôr esta participação no seu currículo por estar tão próximo de uma participação num filme.
Com este aspecto a funcionar como alicerces sólidos, voltamo-nos para a história, que é adequadamente grandiosa, tal como qualquer bom filme de Bond. Desta vez, trata de nanotecnologia, que está a ser utilizada indevidamente por um génio terrível, Nikolai Diavolo, para dar continuidade aos seus malévolos planos de conquista mundial. Naturalmente, o MI6 não suporta estas coisas e envia Bond numa missão que percorre todo o mundo - de Nova Orleães a Moscovo, do Egipto ao Peru, não existe um lugar seguro para os vilões.
O guião é exagerado e picante nos pontos certos, com linhas extremamente más ocasionalmente, mas também foi escrito pelo guionista veterano de Bond, Bruce Feirstein, por isso, seja o que for que ele escreva tem o selo oficial de aprovação. Acima de tudo, o elenco está extremamente adequado aos seus papéis no jogo, atirando-se ao trabalho de dobragem como se estivessem a filmar um novo e enorme sucesso de bilheteira Bond para o grande ecrã.
Por fim, temos os últimos toques: os engenhos e engenhocas que esperamos sempre que Bond possua, e em EON há mais objectos que nunca. Desde o Q Spider telecomandado ao dardo tranquilizante e ao "nanofato" estilo camuflado, normalmente, Bond tem uma engenhoca para cada ocasião - e se não tiver, geralmente, os seus punhos bastam.
Presta atenção, 007
Com esta construção dourada de um jogo criado sem olhar a despesas, etc., a pergunta óbvia permanece: sim, mas como é a jogabilidade? Ao que parece, nada má. Cada nível de Everything or Nothing é um conjunto discreto de momentos Bond, que se joga tipo mini-jogo, com a ligação de vários estilos a atravessarem todo o jogo.
Há níveis de acção na perspectiva da terceira pessoa, ao estilo de Metal Gear Solid, em que Bond tem de entrar sub-repticiamente em determinados locais, acabando com guardas e, geralmente, provocando um terror silencioso. Estes são, possivelmente, os momentos mais agradáveis em que podes sentir como é controlar Bond - afinal de contas, temos Pierce no ecrã a mexer-se às tuas ordens. Com uma gama de movimentos sub-reptícios e ofensivos à tua disposição, cabe-te a ti criares as tuas próprias cenas Bond - por vezes, é mais gratificante seres sub-reptício, uma vez que dessa forma consegues uma pontuação mais elevada, mas, outras vezes, podes avançar com as armas em fúria. Geralmente, EON permite que optes por ambas as abordagens sempre que queiras e, no fim, continuas a ter êxito.
Tal como NightFire e Agent Under Fire antes dele, EON conta também com vários níveis de condução, em que pegas no Aston Martin Vanquish, no Porsche Cayenne SUV ou no Triumph Daytona 600 de Bond para dares uma volta. Todos estão equipados com "acessórios opcionais", tal como seria de esperar do Gabinete de Q, tais como mísseis guiados e lança-chamas, que são úteis quando tiveres de lidar com outros utilizadores da estrada. Estes não são os únicos veículos que Bond pode comandar - num nível ele pode dar uma volta num helicóptero, noutro pode passear num tanque e noutro pode até (ok, tu podes) entrar num rali todo-o-terreno. Por vezes, é como se entrasses num jogo da EA Sports.
Licença para emocionar
Com esta vasta gama de estilos de jogo e com o EON dividido num formato de episódios (os problemas em gravar o jogo não ajudam), há um certo perigo de perderes o interesse em Everything or Nothing. Por vezes, parece que estás a jogar uma série de jogos com o tema de Bond, em vez de fazeres parte de um enredo maior. Os modos de bónus para vários jogadores não ajudam, nos quais agentes anónimos do MI6 perseguem objectivos que nenhuma ligação têm uns com os outros, no modo de jogo individual - embora, tenhamos de admitir, sejam muito divertidos de jogar.
Mas, mesmo quando te começas a dispersar, vem mais um momento Bond. Fazes com que Bond salte do telhado de um edifício, faça rappel pelas paredes, enquanto dispara contra os vilões. Fazes uma derrapagem montado numa mota em câmara lenta, que faz com que Bond passe por baixo de um camião. E tens de admitir: quando lanças um guarda de uma extremidade muito precária, não podes deixar de rir. Por outras palavras, nesse momento sentes que fazes parte da experiência James Bond - e por te oferecer esses momentos, Everything or Nothing já merece o teu tempo.