No auge da guerra das consolas de 16 bits, no início dos anos 90, a condição de ícone da então recente mascote da Sega foi assegurada quando ele espoliou Mario - que era mais popular do que o Rato Mickey nessa altura - numa sondagem conduzida para determinar quem era a personagem animada ou de videojogos mais popular. A década seguinte não foi particularmente generosa para a Sega e, em última instância, assistiu ao seu desaparecimento da corrida das consolas e ao posterior renascimento como editores de software. Misteriosamente, a popularidade de Sonic acompanhou esta decadência; uma série de sequelas de fraca qualidade a seguir a Sonic 2, títulos derivados de fácil esquecimento e duas tentativas moderadamente bem sucedidas de levar as suas aventuras até ao reino das 3D foram recebidos com uma apatia crescente.
Contudo, a rápida descida em sprint da aerodinâmica máquina de velocidade parece destinada a fazer um looping, agora que a Sega viu finalmente a luz e o lançou de cabeça para a PlayStation 2. Cumprimentem Sonic Heroes.
O número mágico
Baseando-se nas ideias apresentadas nos títulos Sonic Adventure, onde uma selecção de personagens com diversas capacidades levavam a cabo diferentes tarefas dentro do mesmo grupo de níveis, Heroes permite-te controlar simultaneamente as três habilidosas e singulares bolas de pêlo. E também não estás apenas limitado ao clássico trio de Sonic, Tails e Knuckles; três outras equipas - Team Dark, Team Rose e Team Chaotix - estão imediatamente disponíveis para selecção, oferecendo cada uma delas uma experiência de jogo algo diferente.
Mesmo assim, as capacidades de cada trio continuam a ser basicamente as mesmas pois cada membro recai numa de três amplas categorias - Velocidade, Voar ou Força. Escolher a capacidade certa no momento certo é essencial para progredir suavemente ao longo dos níveis ondulantes e repletos de obstáculos, assim como para acumular itens, desde os anéis dourados (a marca de Sonic) a esferas de 'subida de nível' que aumentam o poder da tua personagem. As personagens de velocidade são perfeitas para corridas longas e ininterruptas; as personagens voadoras são essenciais para ultrapassar barreiras que de outra forma seriam intransponíveis e derrotar inimigos em pleno ar; e as personagens fortes são especialistas em combate e na demolição de grandes objectos quebráveis.
A tua escolha de personagem determina também a formação que o trio irá adoptar - se colocares a personagem forte na liderança, por exemplo, o trio é alinhado horizontalmente, o que é perfeito para agarrar filas paralelas de anéis e outros grupos de itens que estão espalhados pelos níveis.
Heróis Acidentais
É certamente uma excelente ideia em termos conceptuais, mas a primeira edição deste sistema inovador tem os seus defeitos. Não é de surpreender que a Equipa Sonic continue a parecer debater-se com as bases fundamentais das plataformas a 3D - a capacidade de concluir saltos com precisão e uma câmara a 3D que não leve a enxaquecas continuam a escapar ao programador, apesar do elevado criticismo apontado às duas aventuras anteriores.
Assim sendo, acrescentar duas novas personagens à mistura sem resolver estas questões apenas serve para complicar ainda mais as coisas, um facto que é corroborado pela surpreendente falta de flexibilidade no que toca à mudança entre personagens. A incapacidade de mudar de líder enquanto se salta/voa prejudica gravemente o ritmo do jogo, pois qualquer hipótese de combinar dinamicamente os movimentos numa sequência linear é impossibilitada. Imagina seres capaz de lançar o Sonic encosta acima antes de saltares sobre um precipício, mudando rapidamente para o Tails para voares até uma plataforma, passando para o Knuckles para destruíres uma obstrução, regressando, finalmente, ao Sonic para acabares de percorrer o caminho acabado de limpar - é muito frustrante que as hipóteses de realizar esta técnica e outras do género não possam ser encontradas em qualquer parte.