O Don não partilha com ninguém
Embora Mafia partilhe muitas, muitas semelhanças com GTA, há que dizer desde o início que não se trata de Grand Theft Auto 1930, ou qualquer outro nome composto que pudéssemos inventar. É bastante agradável, mas, se estiveres a jogar na expectativa de que poderá ser - nesta secção, ou na secção seguinte - tão bom quanto o excelente título da Rockstar, podes ficar um pouco desapontado. Nunca chega a atingir os incríveis níveis de qualidade da onda de crime de Vice City de Tommy Vercetti, mas tenta.
Sempre quis ser um gangster
Se és um veterano de GTA, vais encontrar muitos sentimentos semelhantes em Mafia logo desde o início; em primeiro lugar, temos a cidade, modelada a partir de várias cidades americanas da década de 30, que parece estar viva com a presença de trânsito e peões. Tal como em GTA, podes entrar em qualquer edifício que vejas, mas existem pontos-chave no mapa que vais frequentar. Vais passar bastante tempo a viajar do Ponto A para o Ponto B, por entre as ilhas que compõem os limites da cidade, ouvindo música jazz da época, o que proporciona uma grande atmosfera. Na verdade, de início, passas talvez demasiado tempo a viajar de um lado para o outro para fazeres vários serviços para o mafioso Salieri na tentativa de caíres nas boas graças de Don, mas pelo menos passas a conhecer bem a cidade.
Tanto tempo a viajar de um lado para o outro também realça a nossa principal irritação com Mafia: os tempos de carregamento, que acontecem cada vez que tens de percorrer uma distância significativa. Enquanto que em GTA tínhamos uma breve pausa de alguns segundos para passarmos de uma ilha para outra, durante os quais podíamos desfrutar das emissões de rádio, em Mafia temos de nos limitar a olhar para o ecrã de carregamento. É certo que olhamos para boas imagens fotográficas, mas até isso se torna aborrecido passado pouco tempo. Como resultado, toda a experiência parece ser composta por episódios, alguns até um pouco desgarrados. Felizmente, essa característica adapta-se bem à história de Mafia, que dá um salto no tempo para mostrar periodicamente os "pontos altos" da carreira de Tommy.
Na verdade, em vários aspectos Mafia é mais um primo espiritual de The Getaway do que de GTA, uma vez que transpira estilo e ambiente entre rondas de balas, que podem ofender os mais avessos à violência virtual. Tommy e os seus companheiros do bando dos Salieris recebem um sopro de vida, graças a um fabuloso trabalho de dobragens e excelentes cenas cortadas, e a própria história é suficientemente motivante para te fazer continuar a jogar. Para fazermos outra comparação com GTA, a história é tão boa quanto a história de Vice City, mas a qualidade de produção, ou seja, a forma como é apresentada, é muito, muito melhor. Rockstar, toma nota.
Esquece isso
Mas os programadores da Illusion Softworks devem estar completamente fartos das comparações com GTA, pelo que é justo acabarmos com algumas palavras que marquem a diferença de Mafia. Para começar, apesar de Lost Heaven ser uma cidade corrupta, dominada pela Mafia, a Polícia local está bastante atenta às violações do código da estrada. Ultrapassa os limites de velocidade, passa sinais vermelhos com um polícia por perto ou provoca demasiada loucura ao volante dos vários carros de época à tua disposição, e podes contar com uma multa muito antes de conseguires dizer "Com certeza que há um engano, Sr. Agente". Recebes uma multa (em vez de renasceres noutro ponto do jogo), mas conduzir com cuidado em Lost Heaven é algo a que vais ter de te habituar.
Felizmente, essa experiência é bastante agradável, com um grande nível de autenticidade no visual, na condução e no som de todos os carros. Nos carros pequenos, os motores fazem notar a sua presença e nos carros maiores e desportivos ouve-se um suave rugido mal contido dos motores. A condução é brilhante e a diversão é enorme ao lançares uma carrinha de colecção numa curva apertada. Por vezes, a tua selecção de máquinas pode ser um pouco limitada, uma vez que os habitantes de Lost Heaven têm o estranho hábito de trancarem os carros. Isso significa que o Tommy só pode entrar nos carros cujo funcionamento já conheça.
Por fim, no que respeita a dar à sola quando estás a ser perseguido por tacos de basebol e pistolas, Mafia conta com um sistema de combate consideravelmente mais inteligente que GTA. É mais preciso, mais implacável e mais táctico, reflectindo melhor a era brutal e sangrenta do que o agradável, mas menos credível GTA.
Depois de tudo dito e feito, Mafia sofre do facto de não ser o jogo que queríamos que fosse: um Grand Theft Auto da era da Grande Depressão. Dito isto, se és um fã do estilo de jogo muito orientado pela história de The Getaway, Mafia tem muito para te oferecer e vai fazer com que te esqueças por algum tempo de quando aparecerá a próxima edição de GTA da Rockstar.