É assustador pensar que muitos de vocês eram um mero brilho nos olhos dos vossos pais quando a maior parte dos títulos incluídos nesta fabulosa celebração retro surgiu pela primeira vez. Para nós, trata-se de um instantâneo de uma era mais simples, mais inocente, uma época em que não nos importávamos de enfiar moeda atrás de moeda nas máquinas de jogos porque sabíamos bem que os nossos pouco potentes computadores domésticos não podiam imitar o espectáculo de cores a que podíamos assistir nas salas de jogos de antigamente. No entanto, para alguns de vocês, parece ser um documento histórico concebido para mostrar o caminho percorrido pelos jogos durante as duas últimas décadas, uma novidade para colocar junto ao Gran Turismo 4 ou MGS3 e rir, rir, rir.
Smash TV (1990)
Smash TV, o mais recente jogo do conjunto, mas que continua a mostrar a sua maturidade com 14 anos de idade, é a sequela espiritual do clássico Robotron: 2084, com a inclusão de um controlo de manípulos duplos (um para o movimento, outro para apontar e disparar) e níveis verdadeiramente excessivos de carnificina. A premissa futurista de um "jogo fatal" e um apresentador com frases memoráveis ("Boa sorte - vais precisar!") devem bastante à sátira feita a RoboCop e ao filme de Schwarzenegger The Running Man, mas Smash TV permitiu à casa de programação aumentar a quantidade de sangue apresentada muito para além do permitido pela censura cinematográfica. Um ou dois concorrentes têm de sobreviver a assaltos de grande escala de literalmente milhares de inimigos, de brutamontes equipados com tacos de basebol a Mr. Shrapnel, uma mina andante, que ataca provocando uma auto-explosão, ao mesmo tempo que tentas recolher a maior quantidade de dinheiro e prémios possível. Tão jogável e incrivelmente difícil como dantes, Smash TV quase que vale o preço de todo o pacote.
Klax (1989)
Azulejos coloridos deslizam num tapete rolante e tens de agarrá-los com o teu agarrador e depositá-los num contentor. Alinha três ou mais blocos da mesma cor em qualquer direcção e eles desaparecem, deixando espaço livre para mais azulejos. Sim, é mais uma daquelas premissas incrivelmente simplistas que esconde toda a dificuldade e características viciantes do jogo - lembram-se quando ouviram pela primeira vez que o Tetris consistia "apenas" em fazer linhas com blocos de formas diferentes? Tanto quanto sabemos, Klax foi também um dos primeiros exemplos do género a apresentar o conceito de reacções em cadeia para aumentar as pontuações. Um título imparável que espera uma actualização há demasiado tempo.
Marble Madness (1984)
Pega no Super Monkey Ball, deita fora os macacos e, basicamente, ficas com o soberbo Marble Madness, um título complicado que desafia a tua destreza e os teus nervos na tentativa de fazer rolar um berlinde através de uma série de labirintos repletos de perigos antes de se acabar o tempo limite. Apesar de ser o avô dos jogos (20 anos!), os visuais minimalistas, isométricos e em pseudo-3D continuam a ser bastante eficazes, tal como a sua jogabilidade intemporal. Infelizmente, o DualShock é um pobre substituto para o comando da bola do jogo de arcada original (tal como em outros jogos de esferas no pacote ), mas mesmo assim não é um grande obstáculo.
Gauntlet (1985)
Esqueçam os recentes e terríveis revivalismos; o original continua a ser o melhor, especialmente se tiveres um Multitap à mão e mais três amigos para fazeres esta viagem. Um Duende, um Guerreiro, um Feiticeiro e uma Valquíria (também conhecidos como Questor, Thor, Merlin e Thydra, respectivamente), cada um com diferentes pontos fortes e fracos, juntam forças para livrarem masmorra após masmorra de uma miríade de terríveis criaturas. A acção imparável nunca se desvia da fórmula "matar e recolher", mas a caótica interacção humana que resulta da jogabilidade cooperativa (e, ocasionalmente, não cooperativa) mantém a acção sempre fresca.
Obviamente, há cerca de 20 outros jogos além deste impressionante quarteto e são: 720°, Blaster, Bubbles, Defender, Defender II, Joust, Joust 2, Paperboy, Rampage, Rampart, RoadBlasters, Robotron: 2084, Root Beer Tapper, Satan's Hollow, Sinistar, Splat!, Spy Hunter, Super Sprint, Toobin' e Vindicators. Além do doloroso Blaster e da completa estranheza que é o Bubbles, não há um único título neste pacote que não seja bom, embora a quantidade de tempo que passes a jogar com cada um dos jogos dependa da tua capacidade de resistência em regressar aos jogos com gráficos magníficos do séc. XXI.
A dar ainda mais valor ao pacote estão vários extras ao estilo dos DVDs que acompanham cada jogo, tais como entrevistas em vídeo com os criadores, bastante reveladoras (Smash TV 2 pode ainda vir a acontecer), perguntas triviais e imagens dos jogos originais, bem como fichas de instruções. Alguns jogos estão melhor representados que outros por razões óbvias, mas, no geral, podes contar com conteúdo suficiente para te manter ocupado por um bom período de tempo.
Midway Arcade Treasures não vai competir com os melhores jogos da actualidade, mas com o seu preço competitivo, a gama diversa de jogos memoráveis e os inteligentes bónus, vale a penas comprares só pelo seu valor nostálgico/educativo (escolher de acordo com a idade).