Em True Crime jogas na pele de Nick Kang, um duro e implacável polícia, que funciona pelas suas próprias regras. Suspenso da L.A.P.D. pelos seus dias de loucura, é recrutado pela E.O.D. (Divisão de Operações de Elite) para resolver a situação dos gangues de L.A.de uma vez por todas. Sabem que ele é um problema, que tem os nervos à flor da pele e que gosta de fazer as coisas à sua maneira, mas também sabem que consegue resultados, raios o partam. Está determinado a resolver uma antiga vingança com os gangues de L.A. E desta vez é pessoal.
Isto é apenas um pequeno aperitivo dos chavões que True Crime: Streets of L.A. te lança. Tal como um guião, há muito material para te entreteres, mesmo que muitas vezes seja pelas razões erradas. A inconfundível e carismática voz de Christopher Walken dá à versão inglesa do jogo uma ajudinha, mas, no que respeita aos diálogos, parece tratar-se mesmo de um filme de acção de Hong Kong, ou de um filme de polícias americano bastante piroso...
Ruas de L.A.
Felizmente, podemos contar com algumas ideias inovadoras no que respeita à jogabilidade, que se dividem em três partes básicas: luta, tiroteios e condução. TC é, essencialmente, um jogo baseado em missões; jogas ao longo de uma série de episódios, cada um composto por oito missões. Embora a estrutura básica do jogo seja bastante linear, tens muitas oportunidades para navegares pela cidade, tratar de alguns crimes e actualizar as tuas habilidades de condução, tiroteio e combate, visitando os vários dojos dispersos pelo jogo. Cada episódio inclui, pelo menos, uma missão que é uma visita de carro pela cidade, o que te dá a oportunidade de passeares, explorares e patrulhares. Para missões ou prisões efectuadas com êxito (podes parar os transeuntes que passam à tua vontade), recebes 'pontos de polícia'. É necessário um distintivo (100 pontos de polícia) para entrares num dojo, onde te é atribuído um desafio com base em habilidades, que envolve um item ou habilidade que ainda não tens à tua disposição. Se tiveres êxito no desafio, podes desbloquear o que quiseres na área em que recebeste treino; falha e tens de pagar novamente para teres acesso a mais uma tentativa.
Várias tarefas
Cada episódio é composto por missões de condução, tiroteio e combate, com o já referido segmento de "navegação livre" e as missões de acção sub-reptícia atiradas para a mistura. Os segmentos de condução são uma mistura de perseguições e fugas; nada de particularmente novo, mas, em geral, bastante agradável (embora com alguns problemas técnicos graves, dos quais falaremos mais tarde). Entretanto, o combate é, definitivamente, uma das grandes forças de True Crime. Começas com uma gama básica de pontapés e murros, mas, gradualmente, podes adquirir lançamentos, bloqueios e "movimentos de combinação" nos dojos. Aplicar um determinado número de golpes num adversário atordoa-o e transforma a acção numa sequência em câmara lenta, que é a tua deixa para aplicares uma combinação devastadora e acabares com o adversário de vez. Também podes contar com um nível impressionante e satisfatório de interactividade nos ambientes, com muitas mesas, cadeiras e outras peças de mobiliário para partires nas cenas de combate.
Os níveis de tiroteio tendem a ser exercícios de sobrevivência, lançando inimigo atrás de inimigo na tua direcção. O jogo começa com uma pontaria automática básica, mas se mantiveres o botão de disparo sob pressão entras no modo de pontaria de precisão. Podes esquivar-te do chumbo que vem na tua direcção escondendo-te ou executando pequenas manobras de evasão e há até um pequeno mergulho em câmara lenta ao melhor estilo de Max Payne para te divertires. Nos dojos, podes ganhar habilidades adicionais, tais como apontar para alvos separados com armas de canos duplos ou "neutralizar" os alvos - membros de gangues ou carros - com um tiro para as pernas ou pneus, respectivamente. Por falar em tiroteios durante a condução, esta é outra área em que o TC é bastante inovador. Não há outro jogo no mercado que te permita fazer um pião de 180 graus durante uma perseguição, entrar no modo de tiroteio de precisão, colocar uma bomba no depósito de combustível do teu inimigo e vê-lo explodir fazendo voltas de 180 graus. É absolutamente fantástico e True Crime deve ser elogiado por este tipo de inovações.
Criminoso suave?
Infelizmente, embora existam boas ideias no True Crime, parece ser, muitas vezes, demasiado ambicioso e a experiência no seu todo é manchada por algumas deficiências técnicas graves. Não é que as três actividades-chave do jogo - ou seja, condução, tiroteio ou combate, caso te tenhas esquecido - sejam mal conseguidas (ou até mal executadas), mas, por vezes, não podes deixar de sentir que o motor do jogo não está à altura de tanto trabalho. É uma pena, porque alguns aspectos de True Crime são mesmo bons, mas a experiência é estragada pelos valores de produção pouco exemplares ao longo do jogo. A pé, quando tentas correr, o Kang começa a um ritmo inexplicavelmente lento, inclinando-se estranhamente para um lado. No carro, enquanto conduzes no que parecem ser secções bastante pequenas dos mapas, o jogo pára frequentemente durante um segundo para carregar a área seguinte. O mesmo acontece sempre que é iniciado um dos crimes aleatórios e estas pausas frequentes fazem com que True Crime seja uma experiência muito pior do que poderias esperar de um jogo com este tipo de orçamento e tão elevado perfil.
Cidade dos Anjos?
Além disso, e isto é, provavelmente, mais uma reflexão sobre a própria cidade de Los Angeles, o ambiente não é muito inspirador. Claro que estamos a falar de uma das maiores e mais superficiais cidades do mundo, mas conduzir em L.A. não parece ser muito excitante. À medida que o jogo avança, parece-nos ser demasiado genérico e certamente não se compara ao impressionante realismo gráfico de The Getaway ou à viva e estilizada personalidade de GTA: Vice City.
True Crime não é de todo um mau jogo. Penso, sinceramente, que o combate em TC é muito melhor que as ofertas dos dois títulos anteriormente mencionados. Os dojos dão um toque muito simpático e alguns dos circuitos de obstáculos nos dojos de condução são espectaculares. Ter a possibilidade de disparar com precisão por trás do volante é óptimo. O aspecto de "polícia bom / polícia mau" do jogo, através do qual recebes pontos por apreensões não letais ou são-te retirados pontos pela violência em excesso, também é um toque simpático. Mas, em última análise, True Crime tem muitas arestas por limar para chegar ao estatuto de verdadeiro "clássico". Erros, longos períodos de carregamento, quebras inaceitáveis na velocidade de execução e um modo de história demasiado curto (não se pode aceitar que passes do zero a 100% num único fim-de-semana) fazem com que um jogo decente não consiga chegar a um grande jogo.