Os jogos de combate "um contra um" decentes são uma raça cada vez mais rara nos últimos tempos; apenas Tekken 4 e VF4 (e a posterior actualização Evolution) parecem ser as compras essenciais no vasto catálogo da PS2. Ora, são apenas dois jogos em cerca de três anos. Nada positivo. Felizmente, a Namco teve o bom senso de trazer a sequela do altamente brilhante Soul Calibur (possivelmente, o melhor jogo da Dreamcast na sua curta vida) para a máquina-maravilha da Sony, chegando, finalmente, a perfazer três em três. Falemos sem rodeios: este é um dos melhores beat 'em ups de sempre, um jogo de combate tão bom que até os membros da nossa equipa que não apreciam lutas se têm sentido atraídos por ele como uma traça por uma lâmpada de 100 watts.
Bem-vindo ao novo nível da história
O que poderás achar chocante é que SCII não se afasta muito do seu antecessor; salvo umas quantas personagens novas e o melhorado Weapon Master (mestre das armas), terás de te esforçar para encontrares grandes diferenças, a não ser que sejas um verdadeiro "cromo" dos beat 'em ups. Isto seria mais preocupante se já tivesse havido um SC para a PS2, mas a verdade é que o original foi apenas apreciado por um público relativamente pequeno e, mesmo assim, duvidamos que algum deles tivesse reservas quanto a voltar a visitar Kilik e o seu bando. Seja como for, nós não temos.
Se esperas um Tekken com espadas - o que não seria de estranhar com a presença de Heihachi - poderás ficar um pouco desapontado. Não há dúvida de que o jogo é tão profundo como o mais conhecido jogo de combate da Namco, mas é infinitamente mais acessível para os jogadores mais inexperientes, e bastante mais veloz. A acção frenética sobre os botões não é aconselhada, mas até o mais inapto jogador não terá demasiadas dificuldades para realizar algumas jogadas impressionantes nos primeiros minutos de jogo. Contudo, tal como em outros jogos do género, um verdadeiro profissional não terá qualquer problema em se defender e atacar estas técnicas aleatórias e amadoras antes de remeter uma devastadora combinação acrobática ou um traiçoeiro Ring Out (expulsão do ringue). Profundidade? Jacques Cousteau teria de se esforçar e muito para conseguir chegar ao fundo deste jogo.
Ah, e o aspecto visual. Bem... Desde as personagens completamente pormenorizadas às sumptuosas e impressionantes arenas, tudo constitui uma alegria absoluta para os olhos - e tudo executado a 60 fps, sem excepção. Existe um elemento definitivo de grandiosidade em cada cenário, seja o verde luxuriante e os moinhos de vento que definem o maravilhosamente vasto nível da montanha ou a assustadora caverna de grandes dimensões existente no meticulosamente detalhado navio-pirata de Cervantes. Os lutadores são igualmente agradáveis à vista - particularmente as senhoras, verdade seja dita - graças às animações naturais, à roupa e ao cabelo esvoaçante e realista, e à maravilhosa animação facial. Por comparação, os outros jogos parecem ser todos algo desmazelados.
Em breve, irás chamar-me Weapon Master (mestre das armas)
Salta as habituais opções Arcade (arcada), Versus, Survival (sobrevivência) e Time Attack (ataque cronometrado) e descobrirás o poderoso modo Weapon Master (mestre das armas). Essencialmente, trata-se de uma recauchutagem do tão agradável modo Edge Master (mestre extremo) de Soul Edge/Blade e compete-te vaguear pelo mundo de Soul Calibur e derrotar os adversários para obteres ouro, pontos de experiência e novas armas. Felizmente, a acção não te obriga a participares nos mesmos combates vezes sem conta, pois as lutas tendem a ter uma variedade de estipulações para manter as coisas interessantes. Pode tratar-se de tudo, desde lutas contra cinco adversários, sucessivamente, a combates em areias movediças ou sobre gelo escorregadio, ou até explorações de um mapa completo de uma masmorra para descobrires novas funcionalidades ocultas e ganhares personagens jogáveis.
O ouro obtido nos assaltos de onde sais vitorioso pode então ser utilizado para comprares armas para qualquer lutador, independentemente de quem tenhas escolhido, e cada nova implementação de dor concede-lhe normalmente capacidades melhoradas, tais como regeneração de saúde e poderes extra. Embora não seja possível utilizá-las nos modos normais iniciais, dentro de pouco tempo, poderás desbloquear versões 'Extra' de cada modo onde todas as armas são válidas.
Novos rostos da morte
Talvez o maior defeito de SCII seja a distinta falta de sangue novo injectado na sua criação. Cassandra, Yunsung e Charade são apenas versões remodeladas de Sophitia, Hwang e Edge Master, com um ou outro movimento novo, e Heihachi e o gigantesco animal desenhado por Todd McFarlane, Necrid, são ambos, no mínimo, uma grande desilusão. Felizmente, as novas criações genuínas da Namco são adições fantásticas ao plantel que têm o potencial de tomar o lugar de Mitsurugi, Maxi, Xianghua como as personagens preferidas. O mestre da esgrima, Raphael, é a escolha ideal para o jogador mais confiante (ou melhor: arrogante), com a sua mão direita alojada firmemente sobre a anca e a sua presunção e arrogância, ao passo que a jovem e mordaz Talim espanta todos com a sua capacidade atlética e combinações rápidas. Isto, desde que consigas chegar suficientemente perto para os atingir com as suas lâminas de curto alcance.
Saída do nível da história
Escuta: este é o jogo de combate mais belo, jogável, acessível e agradável do planeta, e quem pensar o contrário não tem qualquer gosto ou é, pura e simplesmente, louco. Normalmente, gostamos de permanecer objectivos e aceitamos de bom grado opiniões diferentes das nossas, mas a qualidade de Soul Calibur II brilha tão intensamente que negar esse mesmo brilho seria como olhar directamente para o sol durante uma hora e depois dizer que não se tem qualquer problema nos olhos. Não se trata apenas de um exemplo fantástico deste género, é um jogo fantástico e ponto final. Agarra-o já.