Dentro do imenso catálogo de jogos de condução, os jogos de condução de camiões ocupam um pequeno nicho muito próprio. Afinal de contas, pegar no volante de um Mitsubishi Evo IV ou de um Lamborghini Diablo é uma aspiração bastante comum, mas quantos jogadores têm a aspiração secreta de conduzir transportes de longo curso e mamutes sobre rodas, com o único objectivo de transportar carga do ponto A ao ponto B? Bem, pelo menos os suficientes para garantir a existência não de um, mas de dois jogos para a PS2 que envolvem muito bronzeado de camionista, muitas músicas dedicadas à família e muitas noites fora de casa (o primeiro dos quais foi o caricato Big Mutha Truckers da Empire). Na verdade, diga-se em abono da verdade, um amor desmedido por grandes veículos articulados é, dificilmente, um pré-requisito para qualquer jogo. O verdadeiro chamariz de Big Mutha Truckers foi a sua divertida sátira à "cultura camionista" (se podemos chamar cultura à misoginia, calças de ganga, música pimba e relações sexuais com membros da família mais afastados). Entretanto, The King of Route 66 (muito ao jeito de 18 Wheeler, o seu antecessor) é, simplesmente, um jogo de arcada à moda antiga, bom, simples e muito jogável.
Rei da Estrada
O modo principal do jogo é o The King of Route 66, em que tens de viajar da Costa Leste à Costa Oeste, aceitando trabalhos e competindo com a terrível organização Tornado Corporation, cujos condutores têm aterrorizado profissionais e condutores em geral em todas as estradas. Uma situação típica envolve conduzires até um ponto de recolha, carregar a carga (um exercício de precisão na utilização da marcha atrás e da travagem) e, depois, bater um adversário Tornado no momento da descarga.
À medida que avanças nos estados e chegas aos mais altos funcionários da organização Tornado, os condutores adversários tornam-se cada vez mais agressivos, aparecendo à tua frente no meio da estrada e largando obstáculos tipo bomba, específicos de cada condutor (cactos e ursos de peluche, são apenas alguns dos objectos). Felizmente, também contas com alguns truques. Podes trapacear os teus adversários e existem vários Nitros espalhados em cada nível, que te dão uma velocidade verdadeiramente estonteante. Além disso, ao completares os níveis com êxito recebes fantásticas bonificações em dinheiro, que podes gastar em actualizações para a tua máquina ou em expansões de energia, tais como bombas, limites de tempo mais prolongados, etc. Podes ganhar ainda mais massa ao estragares coisas, recebendo os bónus de destruição ou os ícones Route 66, que estão espalhados nos níveis.
Humm... Rainha da Estrada
O segundo maior modo para jogadores individuais chama-se Queen of the Road (rainha da estrada). Em contraste com o mundo louco e frenético de auto-estrada do modo King, o modo Queen (rainha) é muito mais feminino e urbano. Trata-se, essencialmente, de um modo de arcada, no qual tens de executar várias tarefas nas principais cidades (normalmente recolher e destruir um determinado número de objectos dentro de um período de tempo limitado). É neste modo que, ao fazeres manobras em curvas muito apertadas, percebes a dificuldade de controlares um veículo com dez toneladas.
Os vários pequenos toques é que mostram realmente que se trata de um jogo de camiões e não de um simples jogo de corridas. O retrocesso, por exemplo: em vez de manteres o botão de travagem sob pressão, primes apenas um botão para alternares entre a condução e a inversão de marcha. Se isto não é o suficiente para te fritar o cérebro, tenta perceber como é que podes fazer manobras em marcha-atrás quando a tua cabina está a um ângulo de 45 graus do teu atrelado. Além dos modos King e Queen, ainda podes contar com os modos Route 66 Challenge Mode, o Rival Chase e o modo Versus; todos estes modos em combinação fazem com que King of Route 66 seja uma oferta bastante pesada em termos de conteúdos.
Puxar brilho aos metais
Os gráficos são coloridos e muito vivos, dando a toda a produção um toque de jogo de arcada. Podes escolher entre dois ângulos de câmara, um mostra a tua beleza alimentada a gasóleo em toda a sua glória, enquanto que o outro dá-te um perspectiva da cabina, completa com ornamentos em forma de dados de peluche e literatura específica de cada personagem. A condução é adequadamente pesada, como seria de esperar de uma fera de 18 rodas (embora não possa divagar muito sobre isto, pois nunca conduzi um veículo desta natureza). Um aspecto que é particularmente agradável é a tua capacidade para conduzires sobre quase tudo o que exista nos ambientes. Os carros saltam como se fossem feitos de borracha e depois entram em chamas, as casas de madeira são arrasadas como se fossem feitas de cartão e podes até apanhar flores, ao conduzires pelo meio de canteiros de betão.
Embora The King of Route 66 não consiga atingir o humor óbvio que envolve a nobre arte da camionagem em Big Mutha Truckers, há muitos aspectos neste jogo que vão agradar aos entusiastas de grandes veículos e à (mais) vasta comunidade de proprietários de consolas PS2 com uma queda para jogos de arcada nada complicados. Não é de todo o jogo de corridas mais completo para a PS2, mas a condução intuitiva, a generosa colecção de modos, as personagens coloridas e dos gráficos arrojados fazem com que valha a pena experimentar o The King of Route 66.